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quinta-feira, 4 de junho de 2009

Salvem os jornais!

É! As coisas estão mudando mesmo, não é?! Que frio é esse? Cachecol em rio preto! Quem diria? Mas é claro que não estou aqui pra falar sobre o tempo, afinal isso aqui não é conversa de elevador.

Sabe as mudanças que me assustam? As mudanças culturais e como nos acostumamos com tudo rotineiramente. A nossa frente cultural, nossa voz de frente, nossos jornais e nossos escritores são o que me assustam.

Não concordo com essa tese aparente que os jornais sejam feitos simples e pobremente para informar. Passar informação sobre fatos ocorridos é algo simples e provinciano que qualquer transeunte pode fazer.

Eu guardo de todo o coração, quase todas as edições do jornal O Pasquim. Gosto de lê-los vez ou outra. E foi lendo-os um dia desses que comecei a perceber a ladeira cultural em que vivemos. O jornal de antigamente fazia o povo pensar, permitia que fizéssemos parte de tudo aquilo, sentíamos vivos. Jornalistas eram escritores e escritores eram jornalistas. Traziam arte e cultura, e arte e cultura, galera, não é aquilo que costumamos ler nos cadernos que têm esse nome, que são: Colunismo Social, entrevistas com artistas ocos, programação de televisão, mais colunismo social... AAAAAAAh!! Que vontade de gritar!

Alguém aí pode me dizer que após ler um jornal de capa a capa se sente diferente? É, isso mesmo, diferente! Palavras têm que provocar sentimentos. Essa é a arte de escrever. Nós, escritores, temos que saber provocar angustia, reconhecimento de dor, insatisfação, alegria, nostalgia, pranto e sorriso.

Não é nada disso que acontece. Nos dias de hoje, o jornal parece um manual de sobrevivência para a selva que temos de enfrentar quando saímos de casa. Hoje, infelizmente, o jornalista não é um escritor, é um mero informante, salvo alguns, é claro.

Na minha sala de faculdade, com 80 alunos, quando perguntado, eu e mais meia dúzia erguemos a mão na resposta que tínhamos o hábito e o prazer de ler. Isso é aterrador. Os jornalistas aprendem nas malditas faculdades, o segredo da imparcialidade. Perdem a alma. Ser imparcial não é ficar em cima do muro, e sim mostrar os dois lados do muro, com uma conclusão genial que faça o seu leitor ter novas visões da história. Faze-los pensar! Parece dificílimo, mas não é. O jornalista deveria ter uma pitada de filosofia em suas palavras, mas as matérias de um jornal, não ajudam.

O resquício de filosofia que temos nos jornais são textos fajutos de auto-ajuda, que, na maioria das vezes, podem ser comparados a horóscopos diários. Outro dia mesmo, abri o jornal e vi “O seu corpo é um templo”, “O segredo de se manter em forma”, “Lipoaspiração: Amiga ou Vilã?”. AAAAAAh!! O corpo é o templo, mas e a mente, cacete? A mente não se exercita?

Não estou aqui pra meter o pau nos jornais, absolutamente. Isso é uma indignação, na qual sei que não estou só. A verdade é que não vejo crônicas, insatisfação, nem luta ou arte. Vejo textos informativos e publicitários, que com certeza fazem parte do cotidiano de um jornal, mas só isso? Será que não falta nada?

Obviamente, a imparcialidade deve ser usada com louvor, mas o que faculdades não ensinam é ter Alma! A sordidez tem que aparecer, mesmo que por entre as linhas. Saber argumentar, pensar, mostrar o lado certo e inverso das coisas. Formar opiniões é essencial. E, se indignar, às vezes é preciso!